Mão de Obra

Leitura: Mateus 20.1-16

“Amigo, não estou sendo injusto com você… Receba o que é seu e vá” (Mt 20,13-14).

Desde a Revolução Industrial, iniciada no século 18, quando a produção artesanal foi substituída pela fábrica, discute-se a questão salarial. O dilema tem sido definir o que é justo em termos salariais. Nesta parábola de Jesus, o proprietário saiu cedo e contratou trabalhadores para a vinha. Mais tarde, às nove horas, contratou outros. Saiu ao meio dia e às três da tarde, novamente contratando mais empregados.

No fim do dia fez o pagamento. Todos receberam um denário, uma moeda romana da época. Nos dias de Jesus este era o valor da jornada diária. Os que trabalharam mais tempo, desde cedo, reclamaram. A argumentação do dono foi de que receberam exatamente o combinado. Logo, não havia injustiça, mas demonstração de generosidade do proprietário para os demais. Não é assim que sentimos quando pensamos nos anos de ministério na obra de Deus?

Alguns dedicaram a vida ao Senhor desde a adolescência. Outros, depois de idosos. Ambos serão galardoados? Há aqueles que gastaram a vida na prática de pecados, mas antes de morrer, se arrependeram e reconheceram a necessidade de Cristo como o Salvador. Deus deveria salvá-los? Talvez seria “mais justo” deixá-los morrer em seus pecados. A mágoa com Deus pode ser uma dificuldade na vida do cristão. Quando avaliarmos o Reino de Deus conforme a CLT, podemos ser levados a pensar que Deus é injusto e paga a cada um sem critérios.

Jesus quis demonstrar que a graça de Deus, estendida a todos, independe da quantidade de nossas horas trabalhadas. Ninguém merece coisa alguma. Tudo é a graça de Deus.

A graça de Deus não é medida pelo quanto fazemos, mas pelo que Ele já fez.

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